Pouca gente sabe, mas a ilha de Chipre tem duas seleções de futebol — e duas realidades completamente diferentes.
Enquanto a República de Chipre (a parte sul, reconhecida internacionalmente, membro da UEFA e da FIFA) disputa Eliminatórias para Copa do Mundo e Eurocopa, a República Turca do Chipre do Norte (TRNC), no lado norte da ilha, vive uma situação à parte: só é reconhecida pela Turquia, sofre embargo esportivo internacional e não pode enfrentar nenhuma seleção filiada à FIFA.
A federação local, a KTFF (Kıbrıs Türk Futbol Federasyonu), existe desde 1955 — antes mesmo da divisão da ilha. O primeiro jogo da seleção norte-cipriota aconteceu em 1962, contra a Turquia. Após a invasão turca de 1974 e a declaração de independência em 1983, o embargo chegou: zero jogos oficiais contra seleções FIFA.
A seleção do Chipre do Norte se tornou uma das mais fortes entre as nações não reconhecidas, participando de torneios organizados pela NF-Board (já extinta) e, atualmente, pela CONIFA (Confederação de Associações Independentes de Futebol).
- Campeão da FIFI Wild Cup (2006) ⚽
- Campeão da ELF Cup (2006, sediada por eles mesmos)
- Campeão da KTFF 50th Anniversary Cup (2005)
- Vários outros torneios menores vencidos
No total, participaram de cinco torneios internacionais relevantes e conquistaram quatro títulos. Chegaram também à final da Copa do Mundo CONIFA de 2018 (perderam para a África Ocidental) e foram vice na Euro CONIFA de 2017.
O uniforme segue as cores da bandeira turca (vermelho e branco), o estádio principal é o Atatürk em Nicósia do Norte (dividida por um muro da ONU, como Berlim no passado), e o campeonato local (KTFF Süper Lig) tem clubes tradicionais como Mağusa Türk Gücü, Yenicami e Çetinkaya.
Nunca houve um jogo oficial entre as duas seleções de Chipre, pois o o tabu político é mais forte que a bola. Mesmo assim, o Chipre do Norte é um exemplo perfeito de como o futebol sobrevive mesmo quando a política tenta calar.
Uma nação pequena (cerca de 400 mil habitantes), isolada do futebol "oficial", mas que já levantou várias taças no circuito alternativo — e segue sonhando com um dia em que o mundo esportivo os reconheça.












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